sábado, 14 de janeiro de 2012

DESAFIOS DA EDUCAÇÃO NO ENSINO FUNDAMENTAL NA ATUALIDADE: A CONSTRUÇÃO DE SIGNIFICADOS NA ESCOLA COMO FORMA DE INIBIR A EVASÃO ESCOLAR


DESAFIOS DA EDUCAÇÃO NO ENSINO FUNDAMENTAL NA ATUALIDADE: A CONSTRUÇÃO DE SIGNIFICADOS NA ESCOLA COMO FORMA DE INIBIR A EVASÃO ESCOLAR
Luiz Terencio da Silva[1]
Juliene Silva Vasconcelos[2]

RESUMO
Este artigo faz uma reflexão sobre o desencantamento do aluno pela escola tendo como consequência direta a evasão escolar. Acredita-se que debater as causas da evasão a partir dos atuais projetos político pedagógico que a escola apresenta hoje, ou seja, desfocado da vivência e a da realidade dos seus alunos, pouco contribuirá para o sucesso e superação deste problema. Conduzir-se-á este trabalho com base em linhas teóricas de alguns teóricos-críticos da educação, tais como: Spigolon (2009), Antunes(2002), Splitter; Sharp (1995), Piletti (1995), Dewey (1989), que acreditam também que a escola precisa construir significados para o aprendizado dos alunos,uma vez que somente a partir destes é que se cria uma possibilidade para o aluno não submeter-se à repetência e evasão escolar. Deste modo, o objetivo geral deste trabalho é aprofundar o debate sobre a evasão escolar no Brasil, a partir do pensamento de alguns teóricos da educação brasileira, que consideram que estes elevados índices de evasão escolar é consequência da falta de significados ocasionados por não considerar a vivencia dos alunos e de suas comunidades, mas sim políticas educacionais determinadas pelo Estado, em seus projetos políticos pedagógicos. E isso, pode ser considerado como agente motivador para o desencantamento do aluno pela escola. Acredita-se que somente a adoção de uma pedagogia que vise à valorização do mundo em que ele o aluno vive, ou seja, o mundo cibernético, das redes sociais e das tecnologias, considerados como meios motivadores/instigadores, os alunos voltarão a encantar-se pela escola. Enfim, somente assim a escola poderá combater a evasão, a repetência e desestímulo dos alunos, resolvendo assim um problema local, de âmbito nacional e preocupante.
Palavras-chave: evasão; desencantamento; vivencia; práticas pedagógicas.

1. Introdução
Analisar as causas dos altos índices de evasão escolar e do abandono dos alunos no Ensino Fundamental, bem como aprofundar o debate sobre estes temas e refletir sobre a construção dos significados na escola é o intuito deste trabalho, pois acredita-se que a interação do aluno com a escola se dá de forma mais saudável quando esta trabalha didaticamente a partir do conceito de interatividade entre o saber e a realidade das vivências deste aluno, que, enquanto indivíduo, se torna objeto de transformação dentro desta sociedade.
Splitter; Sharp (1995) critica esta visão didática da escola atual, que induz os alunos a um desencantamento pela aprendizagem, consequência de uma política pedagógica desfocada da realidade e do tempo histórico dos alunos. Será que os tempos históricos atuais exigem realmente uma nova didática para a geração informacional? Isto não seria uma visão pessimista da realidade da educação brasileira, frente aos avanços tecnológicos do mundo atual? A didática é realmente a maior causa do desencantamento do aluno pela Escola?
[...] por que, afinal, a criança deveria ser o objeto – ao invés do sujeito – de transformação? Por que, em outras palavras, não deveríamos ver a criança como uma transformadora? Somos levados a fazer essa pergunta por outra observação corriqueira, mas não menos esclarecedora: a curiosidade instintiva da criança, interesse e encantamento com tudo sob o sol, incluindo ele, diminui com o tempo, até a idade madura de 13 anos (ou ainda antes, dependendo da visão de cada um); o que antes era uma série de aventuras, descobertas e explorações passa a ser chamado de “trabalho escolar” – necessário para o futuro mas, de forma geral, enfadonho do mesmo jeito (SPLITTER; SHARP,1995, p.89).
            São com esses questionamentos que buscou-se aprofundar o debate e elaborar um parecer crítico-reflexivo sobre as razões que induzem muitos alunos a abandonarem a sala de aula por falta de uma didática instigadora ou encantadora, que busque valorizar o seu cotidiano e a sua vivência enquanto indivíduo no tempo e no espaço.
Dewey apud Splitter & Sharp (1995) fala da vivência do professor, que é totalmente diferente da criança que construíram tempos históricos bem diferentes e o contato destas duas realidades antagônicas pode, sim, influenciar negativamente um ambiente para o aprendizado da criança. Viver em tempos históricos totalmente diferentes geram pontos de vista conflitantes e também diferentes. Mas poderia essa geração “antiga” ser trabalhada de forma a ministrar uma didática atualizada, informacional e digitalizada para a “nova geração”? Esse conflito de gerações, pelo contrário, não poderia enriquecer o aprendizado dos alunos, confrontando os ideais e buscando debater experiências saudáveis e inovadoras com questões multidisciplinares da sociedade e da escola?
Sempre vivemos no tempo em que vivemos e não em outro tempo qualquer, e apenas tirando de cada momento presente o completo significado de cada experiência presente estamos preparando para fazer o mesmo no futuro. É a única preparação que na longa jornada conta para alguma coisa (DEWEY 1989 apud SPLITTER; SHARP, 1995, p.89).
            Murray Sidman (1995) também tem esta mesma impressão, quando comenta que, nos primeiros anos, as crianças se encantam pela escola, mas com o passar dos graus, a balança muda e o desencantamento do aluno pela escola predomina neste ambiente desestimulador para ele.
Nos primeiros anos, a maioria deles aprende com vontade, os poucos aprendizes relutantes destacam se dos outros. A partir dos graus intermediários e da escola secundária até a universidade, a balança muda[...](SIDMAM,1995, p.289).
            Outro crítico e também adepto da ideia de que a sala de aula é o grande vilão deste desencantamento é Moreira (1988, p.13-19), quando, ao indagar uma criança sobre o que havia de melhor na escola, ela responde-lhe que “tudo que se passava na escola até a aula começar[...]”. Fica claro que a sala de aula é o ambiente que reproduz essa insatisfação das crianças, e percebe-se claramente que os pontos de vistas dos dois atores na sala de aula, professor e aluno, pode, sim, gerar estes conflitos, interesses bem diferentes daqueles almejados por um destes atores, o que se reflete nos altos índices de evasão escolar na atualidade.
            Metodologicamente, procedeu-se um levantamento de natureza bibliográfica para a fundamentação teórica entre os diversos autores que trabalham com o desencantamento dos alunos pela escola e a evasão escolar. Deste levantamento analisaram-se os pontos de vista confluentes destes autores ao eixo proposto e a partir destes construiu-se uma reflexão sobre o tema. Não debaterá aqui sobre todas as causas da evasão ou do desencantamento dos alunos pela escola, mas sim, buscar dentro deste tema uma linha teórica que trabalha como causa do alto índice de evasão escolar no Brasil, justamente esse desencantamento que aluno tem pela escola, por causa de praticas pedagógicas impostas pelas Escolas, distantes da realidade de muitos alunos em suas comunidades.
            Dentro desta linha teórica baseou-se em alguns críticos da educação, em especial em Spigolon (2009), Antunes (2002), Splitter; Sharp (1995), Piletti (1995), Dewey (1989), e a reflexão se dará a partir dos conceitos destes teóricos, fundamentando a vertente de que em muitas escolas brasileiras os projetos pedagógicos não consideram a realidade da comunidade onde a escola está inserida, mas atende a um projeto político pedagógico vinculado as políticas públicas de educação que busca referenciar a realidade do país, que muita vezes está muito distante da realidade dos alunos e da Escola.
            O intuito é contribuir para o debate de um dos temas que mais tem preocupado a educação brasileira, e a partir destas inflexões sugerir algumas considerações sobre as políticas pedagógicas para amenizar ou diminuir estes altos índices de evasão escolar no Brasil.

2. Desencantamento ou evasão
Conforme Sidmam (1995), os educadores percebem a realidade do desencantamento do aluno, pela grande infrequencia destes em dias letivos, e, a apresentação de justificativas diversas para faltar às aulas, pela satisfação de grande parte dos alunos na véspera de feriados prolongados ou pela indignação de alunos durante as avaliações. Estes fatos podem ser concebidos como indicadores da desmotivação pela aula ou pela escola de forma geral.
            É uma temática de alta relevância na atualidade e de preocupação de boa parte dos profissionais da educação, pois a evasão e o abandono da escola por um quantitativo expressivo de alunos tem sido a realidade deste setor. Segundo França (2010), a Evasão Escolar no Brasil, no período de 2006 a 2008, o índice subiu de 10% para 11%, quando o objetivo para este período era baixar para 9%.
Buscou-se não desconsiderar a existência de vários outros motivos que causam a evasão, conforme aponta Arroyo (1997, p.23): questões de ordem econômica e social, como também a questão do tráfico, o uso de drogas e entorpecentes, a questão de novos modelos de famílias, além de outros fatores menos expressivos, como a desestruturação familiar, a questão de saúde e até pelo Bulling[3].
Todavia, acredita-se que é grande o número de alunos que abandonam a escola simplesmente pelo fato de estar desencantado com as aulas, ou com o sistema didático de determinados professores ou até porque a própria escola não o instiga o aluno a buscar novos horizontes na vida, levando-o a uma falta de perspectiva para o futuro, já tão complicado no presente.
            As transformações conquistadas pela nossa sociedade, principalmente com o avanço tecnológico e as novas maneiras de conceber o pensamento sobre o saber e sobre o processo pedagógico, têm se refletido, principalmente, na dinâmica dos alunos no contexto escolar, trazendo preocupações para os profissionais ou especialistas da área, pois todo esse ambiente tem comprometido de forma alarmante o processo ensino-aprendizagem.
            A necessidade de uma reflexão neste momento é inevitável, pois é imprescindível que os professores passem a vivenciar essas transformações de forma a beneficiar sua prática, podendo buscar novas metodologias que instiguem o aluno a se encantar com a escola, pois, caso contrário, ele acaba por ser um mero expectador desses avanços por que passam a nossa sociedade.
            A velocidade da informação e a facilidade de acesso à grande massa de populações trazem conflitos para o ambiente escolar, para que isto não ocorra é preciso que a Escola aprimore a sua prática, buscando vivenciar com o aluno os tempos históricos atuais, transformando essas vivências em aprendizados e novos significados para o ensino- aprendizagem.
            Sobre isto, Gadotti (2006, p.6) afirma que,
Neste começo de um novo milênio, a educação apresenta-se numa dupla encruzilhada: de um lado, o desempenho do sistema escolar não tem dado conta da universalização da educação básica de qualidade; de outro, as novas matrizes teóricas não apresentam ainda a consistência global necessária para indicar caminhos seguros numa época de profundas e rápidas transformações [...].
            Como o enfoque é a construção de novos significados na escola como forma de inibir a evasão escolar, vamos analisar um pouco da etimologia das palavras, pois pode nos conduzir às primeiras respostas. O dicionário Aurélio Buarque de Holanda Ferreira (1996) define “encanto” como “algo que delicia, enleva, encanta”. Pode-se inferir o contrário para definir desencantamento. Neste sentido, a conceituação usada no presente trabalho para o termo desencantamento refere-se à perda gradual, desmotivação diante dos desafios implicados no processo de aprendizagem.
            Os termos “desencantamento”, “perda de interesse” e “desmotivação” serão usados como sinônimos. “Desencantamento” caracteriza-se pela decepção, desilusão, perda da alegria, do prazer e do fascínio e conseqüente diminuição do interesse pelo aprender na escola. A palavra “significados”, ele define como: mostrar sinais de, indicar, dar a entender, anunciar, declarar, ter significado ou sentido de, ser sinal de, notificar, comunicar, intimar.
            Então, conforme Splitter e Sharp (1995) a construção de significado na escola é fazer com que a criança entenda coisas que importam na vida dela, na vida de sua comunidade, e para que isto ocorra, a escola deve comunicar de forma mais atraente ao aluno. A escola deve intimar o aluno a se inserir no seu contexto, a sinalizar uma nova didática mais instigadora, vivenciando a realidade da comunidade em que o aluno está inserido. Para esses autores “significado” é a essência da escolarização, o professor só consegue ensinar de fato aquilo que pode ter significado na vida do aluno.
A verdade, dizem, é a primeira causadora da guerra. O Significado poderíamos acrescentar, é o primeiro e principal causador da escolarização.  [ ...]   as implicações dessa perda de significado que a escola representa para muitos alunos, mostra como a idéia central de transformar salas de aulas em comunidades de investigações dialógica pode oferecer um caminho à frente (SPLITTER; SHARP,1995, p.90).
            Segundo Splitter; Sharp (1995), a preocupação é com o fato de que a escola poderá estar tentando oferecer uma didática totalmente contrária à necessidade, às vivências, aos tempos históricos e até às aspirações dos alunos, e talvez aí resida a maior causa do desencantamento do aluno pela Escola. A reflexão é no sentido de ampliar o debate sobre a temática e encontrar novos caminhos ou novas variáveis que possam amenizar este problema e criar na escola uma nova identidade ou uma didática que privilegie estes fatores, tidos como causadores desta problemática ou aliciadores desse grupo de alunos que se evadem da Escola.
            O próprio Estado, preocupado com esses índices alarmantes, tem criado projetos especiais para esse grupo de alunos que se evadem da escola e ficam às margens de todo esses avanços sociais, econômicos e tecnológicos, como é o caso da EJA – Educação de Jovens e Adultos. Então, o interesse se volta para os significados que a escola tem colocado nas suas práticas pedagógicas e que não tem conseguido instigar um número considerável de alunos ao aprendizado.

3. A Importância da Escola
            A educação é básica para o desenvolvimento de toda sociedade. Por meio dela pode-se diminuir a miséria, promover o bem-estar, ampliar a possibilidade de inserção dos cidadãos no mercado de trabalho e melhorar a distribuição de renda e o desenvolvimento do país.
            Mas os níveis de evasão continuam elevados, até os dias atuais. Isso torna importante compreender porque o ato de estudar, que é fundamental para a construção do saber e para promover o crescimento do ser humano em todos os sentidos, é tão freqüentemente abandonado antes da conclusão das respectivas etapas do processo educacional cursadas pelos alunos evadidos.
            O pensamento de Freire apud SPIGOLON, (2009) atesta a essencialidade da educação para a formação do homem, que está sempre em busca do conhecimento de si e do mundo que o rodeia:
O homem se sabe inacabado e por isso se educa. Não haveria educação se o homem fosse um ser acabado. O Homem pergunta-se: quem sou? De onde venho? Onde posso estar? O homem pode refletir sobre si mesmo e colocar-se num determinado momento, numa certa realidade: é um ser na busca constante de ser mais e como pode fazer esta auto-reflexão, pode descobrir-se como ser inacabado, que está em constante busca da perfeição. Eis aqui a raiz da educação (FREIRE, 1979 apud SPIGOLON, 2009, p.2).
            No mundo globalizado, é impossível pensar o trabalhador desfalcado de conhecimento ou formação profissional. Melhorar a perspectiva de futuro se faz pelo aprendizado na Escola. Com toda a tecnologia existente, necessitamos cada vez mais de profissionais altamente qualificados e habilitados a lidarem com esses equipamentos mais modernos.
            Então, a educação desempenha um papel de suma importância na formação dos futuros profissionais, e esta deve ser contínua, já que essas tecnologias se transformam e avançam em alta velocidade. Ficar fora da escola é ficar fora de toda essa tecnologia e dos benefícios que ela produz e reproduz dentro nossa sociedade. A falta de profissionais capacitados é uma barreira ao progresso da economia e alimentadora da pobreza, ampliando o quadro da desigualdade existente entre os países e dentro deles. Portanto, a demanda pela Educação é muito grande na atualidade e no futuro.
            Melhorar a qualidade de vida da população e gerar desenvolvimento social de um país são metas alcançadas somente com fortes investimentos em educação. Diversos exemplos têm mostrado isto, como é o caso da Coréia do Sul, conforme revista Veja do dia 16/02/2005, um país que, em menos de trinta anos, saiu da condição de país subdesenvolvido para desenvolvido, com fortes investimentos em educação em todos os níveis. Possibilitar o acesso de uma gama cada vez maior de indivíduos à educação é objetivo dos organismos internacionais e do país. Entender a causa do abandono ou do desencantamento do aluno pela escola é fundamental para conhecermos a realidade da educação brasileira.
            Para Piletti (1995, p.13), a ideia de educação de cada povo depende, portanto, da sua realidade concreta e de seus valores, e aqui no Brasil lidamos com uma diversidade muito grande, quer social, econômica e religiosa, por isso a escola deve também pensar nesta sociobiodiversidade para uma boa formação do seu aluno.

4. Significados da Escola
Nas questões que remetem aos significados da escola, conforme Splitter ; Sharp (1995), estão, primeiramente, o material didático, que muita vezes se trata de enciclopedismo pedagógico, no qual encontra-se um “amontoado didático”, sem unidades e sem nexo, cujos textos ou temas retratam uma realidade muita  vezes ultrapassada ou distante da realidade do aluno.
            Esse material deveria, no mínimo, respeitar as individualidades destes alunos, bem como as suas realidades em termos de comunidades. Aqui deve ficar claro que o professor tem, no material didático, um apoio a sua didática, mas em muitos casos o que vemos são professores engessados em livros didáticos totalmente distantes da realidade da Escola, que são oferecidos pelos programas do governo para distribuição gratuita.
            Outro ponto diretamente relacionado aos significados da escola diz respeito à formação que os professores recebem, é significativa, pois Spigolon (2009), orienta que, na atualidade, o ensinar e o aprender requer uma pedagogia da convivência, da igualdade, da amorosidade, da justiça social, da alteridade  e da liberdade, mas será que os professores também professam esta didática?
Compreendemos que o ensinar e o aprender, na contemporaneidade, se inserem em uma realidade mutável e imediatista, onde se observa o repertório de valores que integram o sentir, o pensar e o fazer. Quanto se busca se contextualizar o significado da educação ao lidar com a diversidade do homem e da mulher, as múltiplas dimensões do ser, entendemos que a educação requer uma pedagogia da convivência e vice-versa. As duas dimensões se fundam nos conceitos de igualdade, amorosidade, justiça social, criticidade, alteridade e liberdade que caracterizam a Teoria do Conhecimento forjada por Paulo Freire (SPIGOLON, 2009, p.09).
            O professor, como mediador da aprendizagem dentro da sala de aula, que trabalha pedagogicamente estes valores, conforme Spigolon (2009) consegue instigar seus alunos a repensarem suas realidades, suas vivências e olhar criticamente para o futuro. Essa pedagogia, sim, deveria estar dentro das escolas, valorizando a vivência dos alunos, das comunidades em que eles estão inseridos e ensinando valores que farão diferença em sua formação futura.
            Vários fatores têm dificultado a implementação de tais práticas pedagógicas, pois a base de construção de uma educação de qualidade é formada por um tripé: Escola, Professor e Família. Inserir estes valores em sala de aula requer que parte destes valores sejam também vivenciados pela família, mas a realidade de muitos alunos na escola é de famílias desestruturadas, nas quais, a grande maioria é de pais separados, estando os filhos muita  vezes, vivendo com os avôs.
            Em outras famílias as mães são as chefes do lar e trabalham o dia inteiro, não tendo tempo para conversar e muito menos para cobrar valores e atitudes mais sérias dos filhos na escola, e a criança ou adolescente, não tendo esse referencial de valores tão simples, dificulta muito o trabalho do professor em sala de aula.
            Uma vez que ele não recebeu um referencial de valores e acredita que na escola também não há esse tipo de referencial, qualquer regra ou norma escolar, ou quando ele se depara com tais referenciais, torna a escola enfadonha ou distante da sua realidade. Seagoe (1978,p.6), diz que: “A aprendizagem é influenciar o comportamento inicial do aluno por meio das experiências vividas na escola, na rua e na família.”
            Os profissionais da educação devem trabalhar todas essas possibilidades de realidades dos alunos, pois, para eles, a escola perpassa por diversas funções, que vão desde a distribuição de merenda, até um local de lazer (futebol, filme, brincadeiras, atividades lúdicas e do encontro com a galera da comunidade), ficando a função primordial da escola – a de local de aprendizado – relegada a segundo plano.
            Quando se discute as causas do desencantamento do aluno pela escola, encontra-se diversos fatores que contribuem para este fenômeno, desde as questões sociais, econômicas e até políticas. Gavaldon (2003) faz um paralelo e acusa a sociedade de tais valores tão precários.
Vemos aqui um movimento da própria sociedade vivendo em momento de insatisfação, gerada por fatores econômicos, de segurança, de saúde e de incertezas políticas, entre outros. Fala-se muito da desorganização da Escola, da má-formação do professor, da falta de metodologia adequadas as diferentes clientelas, de conteúdos desfocados da realidade das comunidades atendidas pela escola, da falta de objetivos claros, coerentes e consistentes. Com a falta de interesse da maioria das pessoas pelos acontecimentos em geral, até que ponto melhor foi levada ou transmitida essa falta de interesse? Até que ponto não é ele apenas alguém à espera, à procura de objetivos reais, que definem caminhos, que mostre seriedade e concreção para a vida futura, para sua função como membro desta sociedade (GAVALDON, 2003 p.38).
            Será que estes questionamentos da autora também nos levam a buscar da escola uma vivência para a vida mais humanizada do nosso dia-a-dia?  Todos esses acontecimentos que a mídia nos abarrota diariamente nos deixam mais frios, calculistas e insensíveis diante das atrocidades vividas por nossa sociedade? Qual seria, então, o papel da Escola para humanizar estes indivíduos para o futuro?
            A escola tem o dever de ensinar a criança a ser solidária sociável e acima de tudo humana. É na escola que aprendemos a lidar com o outro, com os diferentes e com valores solidários e da  não-violência. Acreditar que os alunos possam desencantar com escola pelo fato da violência entrar diariamente na sua casa é atribuir ao aluno o seu próprio fracasso, e não a escola, que às vezes é negligente com as faltas e as angustias dos seus alunos. A Escola sim é co-responsável pela educação em todos os ângulos dos alunos e pela freqüência deste aluno em sala de aula.
            Conforme Splitter e Sharp (1995) esse desencantamento do aluno pela escola começa pela desvalorização da própria escola como instituição reprodutora do saber elaborado, ao passo que deveria ser criadora do saber vivenciado pela sua comunidade. A desvalorização do professor enquanto profissional, que é motivo de riso, de chacota, ao invés de motivo de respeito e deferência a um profissional que forma cidadãos que farão a nossa história no futuro, isto sim é muito preocupante para a educação brasileira.  
                Ou talvez a necessidade de colocar o estudo como elemento de obrigação, de dever, num tempo em que a liberdade, a tecnologia, coloca as pessoas em contato direto com o mundo e com o lazer. Enfim, a Escola precisa mudar pedagogicamente e socialmente, pois, sobretudo a escola pública,  representa para o aluno um lugar de repreensão, de privações e de ser obrigado a participar de uma aprendizagem que é totalmente desfocada e longe da sua realidade social.
            Esse confronto entre o conteúdo ensinado pela escola e o conteúdo oferecido fora dos muros da escola, que é totalmente diferente, pois, longe dos bancos escolares, a liberdade, a tecnologia e o lazer se misturam, não traduzindo em futuro e sim em dificuldades, alargamento das disparidades sociais e de dificuldades com a profissão e com a perspectiva de um mundo melhor para o aluno.

5. Consequências e custos da evasão
O custo da evasão é um custo social, pois todos perdem com uma mão-de-obra não qualificada ou com um indivíduo que não reconhece os seus direitos de cidadania dentro da sociedade em que ele atua.
            Carrijo (1999, p.59) alega que “a exclusão da escola leva à exclusão do mundo do trabalho”. O que é verdade, pois a evasão escolar, assim com a repetência, causa prejuízos vultosos à economia. Uma força de trabalho com menor nível de escolaridade ganha menos, produz menos e, dessa forma, afeta a produtividade da empresa e do País. E o pior, contribui para aumentar a marginalidade nos grandes centros urbanos, pois boa parte dos alunos que deixam a escola ingressa no submundo do crime ou do tráfico de droga.
[...] trata das conseqüências da evasão como um dano social incalculável e até para o próprio aluno, que quando resolve ou tem necessidade de terminar os seus estudos é “rotulado” e desestimulado pelos próprios professores, criando um clima favorável ao desencantamento pela escola (CARRIJO,1999, p.59).
A destruição da auto-estima do aluno cria um círculo de expectativa negativa – o efeito pigmentação – “Se os outros acham que eu sou burro, eu devo ser burro. A escola não é para mim..” . A destruição da auto-estima leva a comportamentos indesejáveis e, freqüentemente, propaga-se para outros aspectos da vida do indivíduo. A evasão e a repetência não cria apenas um aluno fracassado, cria professores e cidadãos fracassados em todas as dimensões da cidadania, como eleitor, consumidor, contribuinte e ser produtivo. Tão ou mais grave que o fenômeno da repetência é sua assimilação como cultura educacional (CARRIJO, 1999, p. 59).
            O que essa autora observa é forte e realista na nossa sociedade. Esses custos contribuem para um país aumentar o nível de corrupção, para inviabilizar um projeto de desenvolvimento sustentável e criar um maior fosso entre as disparidades de renda social.
            A escola cria “rótulos” para alunos que estão fora da faixa escolar. Na verdade, essa falta de um tratamento especial dado aos alunos que regressam a escola com o intuito de concluí-la contribui para aumentar as taxas de evasão e de redução do nível de desempenho dos que permanecem na escola.
            Dados sobre a reprovação, a evasão e distorção idade-série no Brasil – 2010, publicados pela Revista Veja do dia 11/03/2010, fazendo um comparativo com os países da OCED[4]. Segunda a Revista a meta para 2010 era o Brasil chegar um percentual de 10% de alunos, mas a repetência estacionou nos 13%, igualando a países africanos. Quanto à evasão escolar, os índices brasileiros pioraram, de 2006 a 2008, o percentual de estudantes que abandonaram a sala de aula pulou de 10% para 11%, quando objetivo era baixar este índice para 9%.
            O Brasil conta com apenas 14% dos jovens em idade considerada ideal (entre 18 e 24 anos) na universidade, mas é um índice mínimo comparado com países da América Latina, aonde já chegaram a taxas de 21% e frustrante diante da meta do plano de educação que previa 30% dos jovens brasileiros no ensino superior.

6. Como inibir a evasão
A evasão é conseqüência de diversos fenômenos da  macro e da micro estrutura do sistema educacional, conforme Arroyo (1997), que vão desde as políticas públicas educacionais com seus objetivos até as práticas pedagógicas, e os objetivos que permeiam a Escola e seus respectivos alunos, além das questões sociais, econômicas e políticas da sociedade e de um ampla gama de problemas vivenciados por grande parte da população brasileira.      
            Buscar alternativas saudáveis para uma vida escolar de sucesso em um ambiente tão complexo como o descrito acima não é fácil, mas também não é impossível. Projetos pedagógicos de escolas que valorizam os alunos e as comunidades em que elas participam têm gerado bons resultados e um baixo nível de evasão e de repetência escolar. Fórmulas exatas não existem, até porque, a complexidade de cada comunidade, de cada escola é ímpar e, no contexto, as dificuldades de uma escola diferem muito das demais.
            Produzir uma prática baseando-se na “Pedagogia da Convivência”, de Paulo Freire apud Spigolon (2009), onde os valores e a dedicação dos profissionais começam pelo respeito a dignidade da pessoa humana, pelo carinho com o próximo, pelo ato de alteridade dentro da comunidade, são linhas de trabalho muito fortes que, aliadas a uma prática pedagógica que valorize as vivências dos alunos ou das comunidades onde estão inseridas, com certeza gera frutos saudáveis como redução da evasão e da repetência.
            Escola que encanta é aquela que trabalha com o carinho, com afeto, com a solidariedade de todos os seus membros, desde a cantineira que prepara o alimento, até os professores e supervisores, que acompanham e participam da vida de cada aluno.
            Estrutura para as Escolas participarem do mundo das tecnologias dos alunos elas têm, o que falta é um projeto de compatibilize essa estrutura às necessidades da comunidade onde elas estão inseridas. As escolas que têm buscado parcerias com as empresas, com as entidades da comunidade, com as associações de bairros, com as associações de país, têm gerado bons frutos. Acreditar que a escola por si só pode gerar estes bons frutos é não acreditar na educação como conseqüência da junção da família, dos professores e da Escola. Somente com esse tripé poderemos erradicar uma série de problemas vivenciados pela escola.
            O desencantamento do aluno pela escola se dá pela divergência entre as propostas pedagógica da escola e sua participação enquanto cidadão cibernético e global. Status que muitas escolas ainda não conseguiram adquirir. Talvez pela desvalorização dos professores, pelas políticas públicas de educação com objetivos apenas nos indicadores sociais para agradar a organismos internacionais, esquecendo que os alunos são os maiores interessados.
            A motivação do aluno vem pelo estímulo que ele recebe do professor, pois, conforme Antunes (2002, p.48), “nenhum professor pode “Ensinar” um aluno a ser capaz, mas pode ajudá-lo a se descobrir capaz”. Então, a Escola precisa ser o ambiente onde o professor age como “mentor” da criança ao orientá-lo em trabalhar o seu cognitivo. É preciso que a escola ensine a criança a aprender, a pensar, a refletir, a pesquisar, a auto-avaliar e em nenhum momento, perca a oportunidade de torná-la conhecedora de si mesma, autora de sua própria história, sabendo conviver, interagir e relacionar-se com os outros.
            Escola que encanta é aquela que é autônoma, soberana dentro da sua comunidade. Escolas engessadas em práticas pedagógicas ortodoxas só levam ao desencanto ou a frustrações de muitos alunos e até de professores.

7. Considerações Finais
Nessa perspectiva, a busca da superação do fracasso escolar, ou do desencantamento do aluno pela escola se articula a processos mais amplos do que a dinâmica intra-escolar sem negligenciar, a real importância do papel da escola nos processos de desenvolvimento e aprendizagem dos estudantes.
            Assim, é fundamental não perder de vista que o processo ensino-aprendizagem é mediado pelo contexto sociocultural e pedagógico, pelas condições em que se efetivam a aprendizagem e o desenvolvimento, conseqüentemente, pela dinâmica na qual se constrói o projeto político-pedagógico da Escola e esse projeto não pode estar desfocado da realidade, das comunidades e do mundo cibernético e globalizado dos alunos, sujeitos que participaram de forma positiva ou negativa dentro deste contexto.
            Considerando que a Escola, sobretudo a escola pública, tem apresentado uma prática pedagógica não instigadora do aprendizado, mas uma prática tradicional dos professores enquanto formuladores e executores de políticas públicas para a educação. Repensar a Escola enquanto fragmento da sociedade, com suas mazelas e deficiências, e priorizar práticas pedagógicas que valorizem a dia-a-dia das crianças, o mundo cibernético e informacional onde elas participam e até mesmo constroem os seus projetos ou sonhos para um futuro, isto nos levar a acreditar que a evasão e o desencantamento não teriam lugar na vida dos alunos e sim um aprendizado coeso, pertinente e prazeroso, isto levaria a um encantamento que traria resultados totalmente diferentes para a educação e para a sociedade brasileira.
            Para que isto aconteça é necessário que se pense numa formação continuada para os professores e orientadores que formulam e executam os projetos político-pedagógicos escolares. Não pensar na participação e na relação dos alunos com mundo na atualidade é instituir uma escola menos atrativa as expectativa dos alunos. Se não há expectativa, o desencantamento dos alunos se aguça com muita facilidade.
            Repensar práticas pedagógicas, conhecer e dominar o mundo informacional é necessário e urgente para os professores para que possam disponibilizar práticas criativas dentro desta perspectiva. Somente com estas diretrizes podemos amenizar e diminuir os índices de evasão e de desencantamento dos alunos pela escola, alterando toda uma filosofia de custos e discriminação por que passam os alunos que  abandonam a escola na idade/série.
            Mas tudo isso pode ser mensurável diante de escolas que valorizam a participação dos alunos ou das comunidades onde estão inseridas. Participações essas ligadas as tecnologias da informação, onde os alunos vivem num mundo todo cibernético e interativo, instituindo novos saberes, ou direcionando o conhecimento prévio do aluno para a aprendizagem real e necessária a uma boa formação como cidadão crítico e participativo da vida e dos problemas da sua comunidade.
            Repensar estas dimensões se faz necessário neste momento e aprofundar mais as discussões sobre o tema para que haja mudanças radicais nestes indicadores que tanto retratam a realidade de uma gama muito grande de futuros brasileiros fadados ao fracasso, a ser inserido na criminalidade ou até engrossar negativamente os indicadores sociais do país.

8. Referências
ANTUNES, Celso. Novas maneiras de ensinar, nova forma de aprender, Porto Alegre: Artmed, 2002. p. 47 a 39.

ARROYO, Miguel G. da. Escola coerente à escola possível. São Paulo: Loyola, 1997 .

CARRIJO, Inês Luce Machado. Do professor “Ideal”(?) de ciências ao professor possível. Araraguara: JM Editora. 1999.

DELORS, Jacques. Educação para o Século XXI. Organizado por Jackes Delors. Tradução: Fátima Murrad. Porto Alegre. Artmed.2005.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário da Língua Portuguesa, 5ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 2001.

FRANÇA, Ronaldo. Longe da Excelência. Revista Veja,São Paulo:  Abril. Nº.2158,ano 43, nº 13, p.101,14/02/2010

GADOTTI, Moacir. Perspectivas atuais da educação. Porto Alegre:  Artes Médicas, 2000.

GAVALDON, Luiza Laforgia. Desnudando a Escola. São Paulo: Pioneira Thompson Learning. 2003.

MOREIRA, Wagner Wey. Educação e desordem, um binômio a ser alcançado. Impulso. São Paulo: 1988.

NASSIF, Luiz. Jornal Estado de São Paulo. Dia 17.11.2010, site: http://Dennis.eti

PILLETI, Claudio. Didática geral. São Paulo: Ática. 1995.

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SIDMAN, Murray. Coerção e suas implicações. São Paulo: Ed PSY.1995.

SILVA, Angela Maria; PINHEIRO, Maria Salete de Freitas; FRANÇA, Maria Nani, Guia para normalização de trabalhos científicos: projetos de pesquisa, trabalhos acadêmicos e Teses. 5ªed. Ver.amp. Uberlândia-UFU.2006. 145p.

SPIGOLOM, Nima Imaculada. Pedagogia da Convivencia: Elza Freire – Uma vida que faz educação. Dissertação, Mestrado em educação. Faculdade de Educação. Campinas.2009.

SPLITTER, Laurence J.: SHARP, Ann Margaret. A comunidade de investigação na sala de aula. In. ______. Uma nova Educação. Garulhos. Nova Alexandria.1995.p. 89 -117

WEINBERG, Mônica. Revista Veja especial .7 lições da Coréia para o Brasil. São Paulo:Nº.1892.16/02/2005, Disponível em <http://veja.abril.com.br/160205/p_060.html,> acesso em 10 nov.2011



[1] Aluno do Curso de Especialização em Metodologia do Ensino Superior Presencial e EaD. Graduado em Geografia pela Universidade Federal de Uberlândia, atua profissionalmente como Professor na Faculdade Maçônica do Triângulo e no Colégio Athenas. E-mail: terencioluiz@yahoo.com.br.
[2] Professora dos Cursos de Graduação, do Núcleo de Normalização Técnico-Científica da Pós-Graduação da Faculdade Pitágoras/Uberlândia, e Orientadora do Trabalho. E-mail: juliene.silva@pitagoras.com.br.
[3] Termo utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencional e repetida, praticada por um indivíduo ou grupo de indivíduos causando dor e angústia, sendo executadas dentro de uma relação desigual de poder.
[4] OCDE. :Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, composta por países da Europa Ocidental, Estados Unidos, Canadá e mais dez  países emergentes., inclusive o Brasil.

sábado, 3 de dezembro de 2011

FASES DE UM PROFESSOR. REFLEXÕES SOBRE O TEXTO DE MORAN



UNIDADE 3

A Transformação da ação do Professor de Geografia

“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”. Paulo Freire

I  -  Introdução

Começamos esta unidade com o pensamento de Paulo Freire, que retrata muito bem a angustia de muitos professores que não vêm, na maioria dos seus alunos esta indagação e nem a vontade instigadora pelo saber, pelo novo, pelas experiencias ainda não vivida.
      José Manoel Moran, um dos grandes defensores de mudança na educação é muito feliz nas suas colocações que diz que o importante, como educadores, é acreditarmos no potencial de aprendizagem pessoal, na capacidade de evoluir, de integrar sempre novas experiências e dimensões do cotidiano, ao mesmo tempo em que compreendemos e aceitamos nossos limites, nosso jeito de ser, nossa história pessoal.
Ao educar, tornamos visíveis nossos valores, atitudes, idéias, emoções. O delicado equilíbrio e síntese que fazemos no dia a dia transparecem nas diversas situações pedagógicas em que nos envolvemos. Os alunos e colegas percebem como somos como reagimos diante das diferenças de opiniões, dos conflitos de valores. O que expressamos em cada momento como pessoas é tão importante quanto o conteúdo explícito das nossas aulas. A postura diante do mundo e dos outros é importante como facilitadora ou complicadora dos relacionamentos que se estabelecem com os que querem aprender conosco. Se gostamos de aprender, facilitamos o desejo de que os outros aprendam. Se mostramos uma visão confiante e equilibrada da vida, facilitamos, nos outros a forma de lidar com seus problemas, mostramos que é possível avançar no meio das dificuldades. Alguns educadores confundem visão crítica com pessimismo estrutural; eles só transmitem aos alunos visões negativistas e desanimadoras da realidade. Esse substrato pessimista interfere profundamente na visão dos alunos.
Da mesma forma, educadores com credibilidade e uma visão construtiva da vida contribuem muito para que os alunos se sintam motivados a continuar, a querer aprender, a aceitar-se melhor.
http://t1.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSUt9p2U6XL0Qzpc-nTsfr-gPJ5BshTbVMBlmtks8yu0W--E1KIO educador é um ser complexo e limitado, mas sua postura pode contribuir para reforçar que vale a pena aprender, que a vida tem mais aspectos positivos que negativos, que o ser humano está evoluindo, que pode realizar-se cada vez mais. Pode ser luz no meio de visões derrotistas, negativistas, muito enraizadas em sociedades dependentes como a nossa.
Vejo hoje o educador como um orientador, um sinalizador de possibilidades onde ele também está envolvido, onde ele se coloca como um dos exemplos das contradições e da capacidade de superação que todos possuem.
O educador é um testemunho vivo de que podemos evoluir sempre, ano após ano, tornando-nos mais humanos, mostrando que vale a pena viver.
Numa sociedade em mudança acelerada, além da competência intelectual, do saber específico, é importante termos muitas pessoas que nos sinalizem com formas concretas de compreensão do mundo, de aprendizagem experimentada de novos caminhos, de testemunhos vivos –embora imperfeitos - das nossas imensas possibilidades de crescimento em todos os campos.

Cada vez mais precisamos de educadores-luz, sinalizadores de caminhos, testemunhos vivos de formas concretas de realização humana, de integração progressiva, seres imperfeitos que vão evoluindo, humanizando-se, tornando-se mais simples e profundos ao mesmo tempo.

 REFLEXÃO
Você como educador tem acreditado no seu potencial de aprendizagem e na capacidade de evoluir, de integrar sempre novas experiências e dimensões do cotidiano na sua vida prática?


A aprendizagem pessoal
O educador é especialista em conhecimento, em aprendizagem. Como especialista, espera-se que ao longo dos anos aprenda a ser um profissional equilibrado, experiente, evoluído; que construa sua identidade pacientemente, equilibrando o intelectual, o emocional, o ético, o pedagógico.
O educador pode ser testemunha viva da aprendizagem continuada. Testemunho impresso na sua pele e personalidade de que evolui, aprende,se humaniza, se torna uma pessoa mais aberta, acolhedora, compreensiva.
Testemunha viva, também, das dificuldades de aprender, das dificuldades em mudar, das contradições no cotidiano; de aprender a compreender-se e a compreender.
Com o passar do tempo ele vai mostrando uma trajetória coerente, de avanços, de sensatez e firmeza. Passa por etapas em que se sente perdido, angustiado, fora de foco. Retoma o rumo, depois, revigorado, estimulado por novos desafios, pelo contato com seus alunos, pela vontade de continuar vivendo, aprendendo, realizando-se e frustrando-se, mas mantendo o impulso de avançar.
Há momentos em que se sente perdido, desmotivado. Educar tem muito de rotina, de repetição, de decepção. É um campo cada vez mais tomado por investidores, por pessoas que buscam lucros fáceis. Ele se sente parte de uma máquina, de uma engrenagem que cresce desproporcionalmente. Sente-se insignificante, impotente, um número que pode ser substituído por muitos jovens ansiosos pelo seu lugar. Sabe que sua experiência é importante, mas também que outros estão dispostos a assumir o seu lugar por salários menores.
Ensinar tem momentos “glamourosos”, em que os alunos participam, se envolvem, trazem contribuições significativas. Mas muitos outros momentos são banais; parece que nada acontece. É um entra e sai de rostos que se revezam no mesmo ritmo semanal de aula, exercícios, mais aulas, provas, correções, notas, novas aulas, novas atividades.... A rotina corrói uma parte do sonho, a engrenagem despersonaliza; a multiplicação de instituições escolares torna previsíveis as atividades profissionais. Há um aumento de oferta profissional (mais vagas para ser professor), junto com uma diminuição das exigências para a profissão (mais fácil ter diploma, muitos estudantes em fase final são contratados, aumenta a concorrência). A tentação da mediocridade é real. Basta ir tocando para ficarem anos como docente, ganhar um salário seguro, razoável. Os anos vão passando e quando o professor percebe já está na fase madura e se tornou um professor acomodado.

R E F L E X Ã O
Você se considera um professor acomodado?  Você concorda com os momentos glamorosos e com os momentos banais na sua de aula? Na sua visão quais são os fatores causadores destes momentos tão distantes da realidade? 
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AS ETAPAS PESSOAIS COMO DOCENTE

 Apesar de que cada docente tem sua trajetória, há pontos da evolução profissional coincidentes. Relato a seguir uma síntese de questões que costumam acontecer – com muitas variáveis - na trajetória de muitos professores, a partir da minha experiência.
Primeira etapa: iniciação
No começo recém formado, começa a ser chamado para substituir um professor em férias, uma professora em licença maternidade, dá algumas aulas no lugar de professores ausentes. Ele ainda se confunde com o aluno, intimamente se sente aluno, mas percebe que é visto pelos alunos como uma mistura de professor e aluno. Ele luta para se impor, para impressionar, para ser reconhecido. Prepara as aulas, traz atividades novas, se preocupa em cativar os alunos, em ser aceito. Sente medo de ser ridicularizado em público com alguma pergunta impertinente ou muito difícil. Tem medo dos que o desafiam, dos alunos que não ligam para as suas aulas, dos que ficam conversando o tempo todo. Procura ser inovador, e, ao mesmo tempo, percebe que reproduz algumas formas de ensinar que via como aluno, algumas até que criticava. É uma etapa de aprendizagem, de insegurança, de entusiasmo e de muito medo de fracassar. O tempo passa, os alunos vão embora, chegam outros em outro semestre e o processo recomeça. Agora já tem uma noção mais clara do que o espera; planeja com mais segurança o novo semestre, repete alguns macetes que deram certo no primeiro semestre, busca alguns textos diferentes, inova um pouco, faz uma síntese do que deu certo antes. Vê que algumas atividades funcionam sempre e outras não tanto. Descobre que cada turma tem comportamentos semelhantes, mas que reage de forma diferente às mesmas propostas e assim vai, por tentativa e erro, aprendendo a diversificar, a desenvolver um “feeling” de como está cada classe, de quando vale a pena insistir na aula teórica planejada e quando tem que introduzir uma nova dinâmica, contar uma história, passar um vídeo, encurtar o fim da aula, etc.
R E F L E X Ã O
O seu inicio de carreira teve um história diferente da relatada  no texto acima?
Você já superou esta fase ou ainda está vivenciando?
De que forma você planeja o seu semestre?


Segunda etapa: consolidação
De semestre em semestre o jovem professor vá consolidando o seu jeito de ensinar, de lidar com os alunos, as áreas de atuação. Consegue ter maior domínio de todo o processo. Isso lhe dá segurança, tranqüilidade. Os colegas e coordenadores vão indicando-o para novas turmas, novas disciplinas, novas instituições. Multiplica o número de aulas. Aumenta o número de alunos. É freqüente, no ensino superior particular, um professor ter entre mais de quinhentos alunos por semana. Compra um apartamento. Forma uma família. Vira um tocador de aulas. Cada vez precisa aumentar mais o número de aulas, para manter a renda.
Desenvolve algumas fórmulas para se poupar. Repete o mesmo texto em várias turmas e, às vezes, em várias disciplinas. Utiliza um mesmo vídeo para diversos temas. Dá trabalhos bem parecidos para turmas diferentes, em grupo, para facilitar a correção. Lê superficialmente os trabalhos e as provas. Faz comentários genéricos: Continue assim, “insuficiente”, “esforce-se mais”, “parabéns”, “interessante”. Prepara as aulas encima da hora, com poucas mudanças. Repete fórmulas, métodos, técnicas.
 Terceira etapa: Crise de identidade
 Sempre há alguma crise, mas esta é diferente: pega o professor de cheio. Aos poucos o dar aula se torna cansativo, repetitivo, insuportável. Parece que alguns coordenadores são mais “chatos”, “pegam mais no pé”. Algumas turmas também não querem nada com nada. As reuniões de professores são todas iguais, pura perda de tempo. Os salários são baixos. Outros colegas mostram que ganham mais em outras profissões. Renova-se a dúvida: vale a pena ficar como está ou dar uma guinada profissional?
Por enquanto vai tocando. Torce para que haja muitos feriados, para que os alunos não venham em determinados dias. Qualquer motivo justifica não dar aula. Cria muitas atividades durante a aula: leituras em grupo, pesquisa na biblioteca, vídeos longos e isso lhe permite descansar um pouco, ficar na sala dos professores, poupar a voz.
Muitas vezes essa crise profissional vem acompanhada de uma crise afetiva. O relacionamento a dois não é o mesmo, passa pela indiferença ou pela separação. Sente-se intimamente bastante só, apesar das aparências. E em algum momento a crise bate mais fundo: o que é que eu faço aqui? Qual é o sentido da minha vida? Tem tanta gente que sabe menos e está melhor! Como defender uma sociedade mais justa num país onde só os mesmos ficam mais e mais ricos?
Olha para trás e vê muitos recém formados doidos para entrar a qualquer jeito, ganhando menos do que ele. E esses moleques petulantes têm outra linguagem, dominam mais a Internet, estão cheios de gás. Embora faça cursos de atualização, sente-se em muitos pontos ultrapassado. Sempre foi preparado para dar respostas, para ser o centro do saber e agora descobre mais claramente que não tem certezas, que cada vez sabe menos, que há muitas variáveis para uma mesma questão e que novas pesquisas questionam verdades que pareciam definitivas. Essa sensação de estar fora do lugar, de inadequação vai aumentando e um dia explode. A crise se generaliza. Nada faz sentido. A depressão toma conta dele. Não tem mais vontade de levantar, chega atrasado. Justifica cada vez mais suas faltas.

R E F L E X Ã O
Você se considera um tocador de aulas? Por quê?
Conhece alguma fórmula para se poupar de tanto trabalho?
Antes a evasão escolar era título apenas para alunos, mas nos tempos modernos existem muitos professores evadindo das escolas e tentando novas profissões. Qual profissão você já foi tentado?Por que? 

 Quarta etapa: mudanças
Diante da crise, alguns professores desistem, entregam a toalha. Procuram algumas saídas, mesmo que precárias: festas, um caso, bebida, algumas viagens. Depois vão se acalmando, dizem: a vida é assim mesmo; “vou tocar a vida o melhor que puder e seguir enfrente”.
Alguns procuram uma nova atividade profissional mais empolgante e deixam as aulas como complemento, como “bico”.
Ele procura refletir sobre sua vida profissional e pessoal. Tenta encontrar caminhos, reaprender a aprender. Atualiza-se, observa mais, conversa, medita. Aos poucos busca uma nova síntese, um novo foco. Começa pelo externo, por estabelecer um relacionamento melhor com os alunos, procura escutá-los mais. Prepara melhor as aulas, utilizam novas dinâmicas, novas tecnologias. Lêem novos autores, novas filosofias. Reflete mais, medita. Descobre que precisa se gostar mais, aceitar-se melhor, ser mais humilde e confiante. E assim, pouco a pouco, redescobre o prazer de ler, de aprender, de ensinar, de viver. Está mais atento ao que acontece ao seu lado e dentro de si. Procura simplificar a vida, consumir menos, relaxar mais. Vê exemplos de pessoas que envelhecem motivados para aprender e isso lhe é um estímulo para o futuro, para seguir adiante, para renovar-se todos os dias. Torna-se mais humano, acolhedor, compreensivo, tolerante, aberto. Dialoga mais, ouve mais, presta mais atenção. Com o passar do tempo percebe que não é perfeito, mas que tem evoluído muito e que redescobriu o prazer de ensinar e de viver.
Esta é a atitude maravilhosa de quem gosta de aprender. O aprender dá sentido à vida, a todos os momentos da vida, mesmo quando ela está no fim.
Aprendi com Rogers a sentir prazer em aprender, e a perceber que podemos envelhecer vivenciando a alegria de aprender com mais profundidade, descobrindo novas perspectivas, idéias, pessoas. Sinto que muitas pessoas aprendem por necessidade, para sobreviver, para não ficar para trás, para ganhar dinheiro. Quando se aposentam, costumam aposentar-se também de aprender. E perdem uma das grandes motivações de viver. Tornam-se previsíveis, repetitivos.
Essa atitude de gostar de aprender não se improvisa. Vai se desenvolvendo ao longo da vida, a partir de experiências positivas na infância, em casa e na escola. Se a escola incentiva a curiosidade, a descoberta, o aluno desenvolve o gosto por ler, por ir além do exigido, pesquisa por si mesmo e vai atrás de novos conhecimentos.
R E F L E X Ã O
Como tem sido o seu relacionamento com os alunos? Houve mudanças neste sentido? Quais?
Você já redescobriu o prazer de ensinar? Como?
Está passando da hora de acontecer, pense melhor neste ponto.


O professor bem sucedido

Por que, nas mesmas escolas, nas mesmas condições, com a mesma formação e os mesmos salários, uns professores são bem aceitos, conseguem atrair os alunos e realizar um bom trabalho no ofício de ajudar os alunos a aprender?
Não há uma única forma ou modelo. Depende muito da personalidade, competência, facilidade de aproximar e gerenciar pessoas. Uma das questões que determina o sucesso profissional maior ou menor do professor é a capacidade de relacionar-se, de comunicar-se, de motivar o aluno de forma constante e competente. Alguns professores conseguem uma mobilização afetiva dos alunos pelo seu magnetismo, simpatia, capacidade de sinergia, de estabelecer um rapport, uma sintonia interpessoal grande. É uma qualidade que pode ser desenvolvida, mas alguns a possuem em grau superlativo, a exercem intuitivamente e facilita todas as atividades propostas.
Uma das formas de estabelecer vínculos é mostrar genuíno interesse pelos alunos. Os professores de sucesso não se preparam para o pior, mas para o melhor nos seus cursos. Preparam-se para desenvolver um bom relacionamento com os alunos e para isso os aceitam afetivamente antes de os conhecerem, se predispõem a gostar deles antes de começar um novo curso. Essa atitude positiva é captada consciente e inconscientemente pelos alunos que reagem da mesma forma, dando-lhes crédito, confiança, expectativas otimistas. O contrário também acontece: professores que se preparam para a aula como uma batalha, que estão cheios, cansados de dar aula passam consciente e inconscientemente esse mal-estar que é correspondido com a desconfiança dos alunos, com o distanciamento, com barreiras nas expectativas.
É muito tênue o que fazemos em aula para facilitar a aceitação ou provocar a rejeição. É um conjunto de intenções, gestos, palavras, ações que são traduzidos pelos alunos como positivos ou negativos, que facilitam a interação, o desejo de participar de um processo grupal de aprendizagem, de uma aventura pedagógica (desejo de aprender) ou, pelo contrário, levantam barreiras, desconfianças, que desmobilizam.
O sucesso pedagógico depende também da capacidade de expressar competência intelectual, de mostrar que conhecemos de forma pessoal determinadas áreas do saber, que as relacionamos com os interesses dos alunos, que podemos aproximar a teoria da prática e a vivência da reflexão teórica.
A coerência entre o que o professor fala e o que faz, como vive é um fator importante para o sucesso pedagógico. Se um professor une a competência intelectual, a emocional e a ética causa um profundo impacto nos alunos. Estes estão muito atentos à pessoa do professor, não somente ao que fala. A pessoa fala mais que as palavras. A junção da fala competente com a pessoa coerente é poderosa.
As técnicas de comunicação também são importantes para o sucesso do professor. Um professor que fala bem, que conta histórias interessantes, que tem feeling para sentir o estado de ânimo da classe, que se adapta às circunstâncias, que sabe jogar com as metáforas, o humor, que usa as tecnologias adequadamente, sem dúvida consegue bons resultados com os alunos. Os alunos gostam de um professor que os surpreenda, que traga novidades, que varie suas técnicas e métodos de organizar o processo de ensino-aprendizagem.
Ensinar sempre será complicado pela distância profunda que existe entre adultos e jovens. Por outro lado, essa distância nos torna interessante, justamente porque somos diferentes. Podemos aproveitar a curiosidade que suscita encontrar uma pessoa com mais experiência, realizações e fracassos. Um dos caminhos de aproximação ao aluno é pela comunicação pessoal de vivências, estórias, situações que o aluno ainda não conhece em profundidade. Outro é o da comunicação afetiva, da aproximação pelo gostar, pela aceitação do outro como ele é  e encontrar o que nos une, o que nos identifica, o que temos em comum. Um professor que se mostra competente e humano, afetivo, compreensivo atrai os alunos. Não é a tecnologia que resolve esse distanciamento, mas pode ser um caminho para a aproximação mais rápida: valorizar a rapidez, a facilidade com que crianças e jovens se expressam tecnologicamente ajuda a motivar os alunos, a que queiram se envolver mais. Podemos aproximar nossa linguagem da deles, mas sempre será muito diferente. O que facilita são as entrelinhas da comunicação lingüística: a entonação, os gestos aproximadores, a gestão de processos de participação e acolhimento, dentro dos limites sociais e acadêmicos possíveis.
O educador não precisa ser “perfeito” para fazer um grande trabalho. Fará um grande trabalho na medida em que se apresenta da forma mais próxima ao que ele é naquele momento, que se “revela” sem máscaras, jogos. Quando se mostra como alguém que está atento a evoluir, a aprender, a ensinar e a aprender. O bom educador é um otimista, sem ser “ingênuo”. Consegue “despertar”, estimular, incentivar as melhores qualidades de cada pessoa.

R E F L E X Ã O
Quais são as características de um professor de sucesso?
Você se considera um professor de sucesso?

 

A rotina da profissão do educador

Como em outras profissões há uma distância entre os sonhos e a realidade. No começo, recém formados, os jovens professores compensam com o entusiasmo a falta de experiência e de formação nos métodos e técnicas de comunicação em sala de aula, de gestão do processo de ensino-aprendizagem.
Aos poucos vão assumindo novas turmas, trabalhando em duas ou três escolas para poder ter um salário decente e o ensinar vai tornando-se sua profissão, seu ofício um ano após o outro, uma profissão segura e previsível.
Com o tempo, domina os macetes, procura dosar as energias para chegar até o fim da jornada, escolhem turmas melhores, procura facilitar as tarefas de avaliação para não demorar tanto na correção de atividades.
A profissão do professor vira rotina, repetição, os semestres e os anos vão passando, tudo parece que se repete e costumam, muito deles, passar pelo período de saturação: tudo incomoda, ensinar parece tedioso, improdutivo; consultam o calendário olhando os feriados, as pontes sem aula, os domingos a noite cada vez mais deprimentes, calculam o tempo que lhes falta para aposentadoria.
Uma parte dos professores continua sua rotina a caminho da mediocridade. Fazem cursos de atualização para ganhar pontos, melhorar o salário, mas pouco muda na sua prática pedagógica. Outros, insatisfeitos, procuram formas de melhorar, de evoluir. Inscrevem-se em novos cursos, procuram melhorar suas aulas, se preocupam mais com os alunos, introduzem novas tecnologias nas classes, novas técnicas de comunicação.
Tem professores que se burocratizam na profissão. Outros se renovam com o tempo, se tornam pessoas mais humanas, ricas e abertas. As chances são as mesmas, os cursos feitos, os mesmos; os alunos, também são iguais.  A diferença é que uma parte muda de verdade, busca novos caminhos e a outra se acomoda na mediocridade, se esconde nos ritos repetidos. Muitos professores se arrastam pelas salas de aula, enquanto outros, nas mesmas circunstâncias, encontram forças para continuar, para melhorar, para realizar-se.
Não tem programas de formação, de atualização que dêem certo se os professores não se motivam para melhorar, se não estão dispostos a crescer, aprender, evoluir.
 O professor-aprendiz
 Quando pensamos em educação costumamos pensar no outro, no aluno, no aprendiz e esquecer como é importante olharmo-nos os que somos profissionais do ensino como sujeitos e objetos também de aprendizagem. Ao focarmo-nos como aprendizes, muda a forma de ensinar. Se me vejo como aprendiz, antes do que professor, me coloco numa atitude mais atenta, receptiva, e tenho mais facilidade em estar no lugar do aluno, de aproximar-me a como ele vê, a modificar meus pontos de vista.
A atitude primeira do educador profissional em perceber-se como aprendiz o torna atento ao que acontece ao seu redor, sensível às informações do ambiente, dos outros. Preciso colocar-me junto com o aluno como professor-ensinante e professor-aprendiz. Parece óbvio ou só um jogo de palavras, mas não o é e a mudança de atitude tem grandes conseqüências. Se me coloco, como professor, sempre e somente no lugar do aluno, trabalha com informações úteis para o aluno, adquiro uma grande capacidade de senti-lo, de adaptar a minha linguagem, de sintonizar com suas aspirações e isso é bom. Se eu, ao mesmo tempo, que penso no aluno, também me penso como aluno, além de adaptar-me ao outro, eu estou aprendendo junto, estou fazendo a ponte entre informação, conhecimento e sabedoria, entre teoria e prática, entre conhecimento adquirido e o novo. Com um olho vejo o aluno, como o outro me enxergo como aluno-professor.  O que estou propondo é ampliar o foco da relação para não colocar-me só na posição de professor e sim na de aluno/professor com mais intensidade.
Quais são as conseqüências? Se aprendo mais, de verdade, se incorporo a aprendizagem para o outro à aprendizagem também para mim, evoluirei mais rapidamente, entenderei melhor os mecanismos de aprender, as dificuldades, os conflitos pessoais e os dos meus alunos. Se eu aprendo mais e melhor, só me falta pensar como encontrar o caminho para comunicar-me com os alunos, como ser mediados entre onde me encontro e onde eles se encontram.

R E F L E X ÃO
Você tem trilhado o caminho da mediocridade enquanto professor? Por quê?
Você tem pensado mais como alunos ou como professor no planejamento das suas aulas? 

Roteiros previsíveis e semi-desconhecidos
Se me coloco como professor que aprende e não só que ensina, viverei duas situações interligadas, mas diferentes. Em muitas ocasiões, me coloco diante dos alunos como alguém que já conhece, que já percorreu o caminho anteriormente e que quer ajudar os alunos a fazer essa travessia. Ensinar o que já conhecemos é o que fazemos quando transmitimos nossas experiências, vivências, exemplos, situações, leituras. Como pessoa mais experiente, espera-se que ajude os alunos nesta travessia.
Mas há momentos e situações que escapam mais ao meu controle, nas quais me vejo também vivendo como aprendiz, que eu começo a enxergar de outra forma, sem ainda ter feito todo o percurso de antemão. Nesta situação, sou um professor que está aprendendo e, ao mesmo tempo, mostrando o processo de aprender enquanto acontece e não só o resultado, como um processo plenamente dominado. É uma outra forma e situação que hoje enfrentamos com freqüência e que é rica também para o aluno.
Com um exemplo ficará mais fácil visualizar o que estou dizendo. Se eu já conheço Madri e Barcelona, ao vivo e por leituras, posso ser guia dos meus alunos, ajudá-los a escolher os melhores pontos turísticos para visitar, darei informações mais precisas sobre o que estamos vendo. O meu conhecimento prévio me torna um informante e mediador confiável. Isso me dá segurança e confere segurança também aos alunos: temos um guia conhecedor e confiável.
Mas há outros momentos em que posso fazer um convite aos alunos e dizer-lhes: Vamos viver uma aventura? Vamos todos juntos para uma cidade desconhecida, fazer um caminho diferente, que eu ainda não percorri? Apesar da minha experiência como viajante-conhecedor, agora há elementos que me escapam, há conhecimentos que preciso atualizar rapidamente, haverá um maior número de surpresas, os alunos poderão trazer informações significativas que eu desconheço. Nesta última situação eu aprendo junto muito mais, embora possa cometer alguns erros de percurso, me perder em alguns momentos, ficar em dúvida sobre quais escolhas são as mais acertadas. E os alunos, sendo co-responsáveis pelo processo, também estarão mais motivados e darão contribuições mais significativas.
Se eu me coloco como um professor-aprendiz e não só como um especialista em viagens, proporei aos alunos novos caminhos, novos desafios, e não só roteiros previsíveis. Os roteiros previsíveis dão segurança, nos tranqüilizam, mas, na segunda ou terceira vez, já perdem a graça. Muitos professores se comportam como guias turísticos que fazem sempre os mesmos roteiros, repetem as mesmas falas, percorrem cada semestre os mesmos percursos. Na décima viagem, será muito difícil estar empolgado, a não ser fazendo um esforço, conscientizando-me de que é minha atividade profissional e represento o papel da descoberta, mas não a vivencio. Somente os alunos podem vivenciá-la, se para eles realmente é uma descoberta, se eles já não tinham estado antes em outra excursão ou por si mesmos. Se eu sou professor-aprendiz, mesmo que conheça os roteiros, estarei atento a novos detalhes, novas informações, novos caminhos. Criarei estratégias de motivação diferentes, farei entrevistas com pessoas que não conheço. Dentro da previsibilidade do roteiro, farei inúmeras variações (porque eu também estou aprendendo junto).
Se sou um professor-aprendiz inovador posso combinar roteiros previsíveis, trilhados com diferentes estratégias e caminhos, com roteiros semi-desconhecidos onde eu não sou tão especialista e em que proponho que o grupo esteja mais atento para aprendermos juntos, para utilizar todas as experiências prévias de todos, para trocar mais informações. Sem dúvida é mais arriscado, mas mais excitante.
Numa sociedade como a nossa, com tantas mudanças, rapidez de informações e desestruturação de certezas, não podemos ensinar só roteiros seguros, caminhos conhecidos, excursões programadas. Precisamos arriscar um pouco mais, navegar juntos, trocar mais informações, apoiados no guia um pouco mais experiente, mas que não tem todas as certezas, porque elas não existem como antes se pensava.
Muitos transformam a educação em uma agência de viagens, com roteiros pré-programados, previsíveis. É, sem dúvida, mais seguro, fácil para todos e confortável. Hoje é insuficiente esse modelo. Precisamos combiná-lo com roteiros semi-previsíveis, semi-estruturados, com pontos de apoio sólidos, mas com muitos momentos livres para permitir escolhas personalizadas e com outros de aventura, onde todos nos sintamos empolgados e efetivamente participantes de uma aprendizagem coletiva.
 O que é importante para ser professor hoje
R E F L E X Ã O

Algumas diretrizes são importantes para o professor que quer ser excelente profissional:
·       Crescer profissionalmente,  atento a mudanças e aberto à atualização.
·       Conhecer a realidade econômica, cultural, política e social do país, lendo atenta e criticamente jornais e revistas impressos e na Internet.
·       Participar de atividades e projetos importantes da escola
·       Escolher didáticas que promovam a aprendizagem de todos os alunos, evitando qualquer tipo de exclusão e respeitando as particularidades de cada aluno, como sua religião ou origem étnica.
·       Orientar a prática de acordo com as características e a realidade dos alunos, do bairro, da comunidade.
·       Participar como profissional das associações da categoria e lutar por melhores salários e condições de trabalho.
·       Utilizar diferentes estratégias de avaliação de aprendizagem — os resultados são a base para você elaborar novas propostas pedagógicas. Não há mais espaço para quem só sabe avaliar com provas. 


 Aprendendo a construir a identidade pedagógica pessoal
Cada um de nós vai construindo sua identidade com pontos de apoio que considera fundamentais e que definem as suas escolhas. Cada um tem uma forma peculiar de ver o mundo, de enfrentar situações inesperadas. Filtramos tudo a partir de nossas lentes, experiências, personalidade, formas de perceber, sentir e avaliar a nós mesmos e aos outros.
Uns precisam viver em um ambiente super-organizado e não conseguem produzir se houver desordem, enquanto outros não dão a mínima para a bagunça ou fazem dela um hábito. Uns precisam de muita antecedência para realizar uma tarefa,
enquanto outros só produzem sob a pressão do último momento.
Na construção da nossa identidade é importante como nos vemos, como nos sentimos, como nos situamos em relação aos outros. Muitos fomos educados para depender da aprovação dos demais, fazemos as coisas pensando mais em agradar os outros do que no que realmente desejamos.
Todos experimentamos inúmeras formas de comparação, ficamos em segundo plano, fomos deixados de lado, sofremos todo tipo de perdas e isso interfere na nossa auto-imagem.
Sempre nos colocam modelos inatingíveis de beleza, de riqueza, de sucesso, de realização afetiva. É intensa a pressão social para que nos sintamos infelizes, diminuídos em alguns pontos ou para que nos contentemos com pouco.
Muitos permanecem imobilizados pelo medo do julgamento alheio, pelo medo de falhar. Vivem para fora, para serem queridos, aceitos. E sem essa aceitação se sentem mal, se escondem fisicamente ou através de formas de comunicar-se pouco autênticas, desenvolvendo papéis para consumo externo. Internamente – mesmo quando aparentemente o negamos – temos consciência de que somos frágeis, contraditórios, inconstantes e, em alguns campos, inferiores a outros. 
A grande questão é que, intimamente,  muitos não se gostam de verdade, não se aceitam plenamente como são, duvidam do seu valor, tentam justificar seus problemas, procuram  formas de compensação, de aprovação. Boa parte dos nossos descaminhos, das nossas dificuldades, perdas e problemas advêm do medo de sermos felizes, de acreditar no nosso potencial.
Ficamos marcando passo por sentir-nos inseguros, por incorporar tantas injunções negativas, acomodadoras, medíocres. Essa construção da nossa identidade que fomos realizando tão penosamente não a podemos modificar magicamente. Podemos, contudo, aprender a ir modificando alguns processos de percepção, emoção e ação.
É importante reconhecer nossas qualidades, valorizá-las, destacá-las e buscar formas de colocá-las em prática, escolhendo situações em que elas sejam mais testadas e necessárias. Estar atentos ao que acontece e ir antecipando-nos, prevendo, testando, avaliando.
Somos chamados a realizar grandes vôos. Podemos ir muito além de onde estamos e de onde imaginamos e de onde os outros nos percebem. Podemos modificar nossa percepção, aprendendo a aceitar-nos e a gostar plenamente de nós, a aceitar-nos plenamente, intimamente como somos, sem comparações nem desvalorizações, quando ninguém nos vê, quando não temos que representar para alguém e ir adiante, no nosso ritmo, acreditando no nosso potencial.
Para mudar o mundo podemos começar mudando a nossa visão dele, de nós. Ao mudar nossa visão das coisas, tudo continua no mesmo lugar, mas o sentido muda, o contexto se altera.
Em geral não é preciso ir morar em outro ambiente, em outra cidade, mas descobrir novas formas de olhar e de compreender as pessoas, os ambientes com as que convivemos.
Construímos a vida sobre fundamentos autênticos ou falsos. As construções em falso são como andaimes ou contrapesos para segurar uma parte do prédio que pode vir abaixo, cair. Procuramos esconder – até de nós mesmos - o lado negativo, o que anos incomoda, o que não gostamos. Quanto mais muros de contenção, duplas paredes, contrafortes criamos, quanto mais estruturas paralelas levantamos, menos evoluímos a longo prazo, menos nos realizamos.
As pessoas podem criar obras incríveis, maravilhosas em qualquer setor e, mesmo assim, girar em falso, estarem construindo superestruturas paralelas.
Se o que nos leva a realizar coisas é a necessidade de reconhecimento, de aceitação, de ser queridos, o foco está distorcido e poderemos estar agindo a vida toda em falso.
Se eu preciso necessariamente da aprovação de alguém para sentir-me bem, na mesma medida deixo de aceitar-me, de gostar-me, de integrar-me. Eu me volto na direção do outro, o coloco como eixo e começo a girar em falso. E quanto mais insisto nesse padrão e direção, mais me afasto do meu centro, mais energia preciso gastar, mais peso e superestrutura acumular. Posso ser reconhecido e não evoluir nem ser feliz.
Creio que a grande maioria das pessoas se agita muito, faz mil atividades, mas não foca o essencial. Chega quase lá, mas lhe falta a atitude de total sinceridade consigo, de permitir-se o desvendamento de tudo o que é e carrega consigo. Espera a sua realização dos outros, de ser reconhecido por eles.
Hoje dá-se muita ênfase às profissões onde há visibilidade, de divulgação, de marketing, que propiciam ser reconhecido como as de modelo, ator, esportista, televisão...). Muitos buscam a TV, ser entrevistados, aparecer em colunas de jornais. Em si isso é bom, mas a atitude pode atrapalhar. Precisam de reconhecimento social como condição fundamental para sentir-se bem. São felizes se e quando aparecem, quando são solicitados, quando estão em evidência.
É bom ser chamado, mas não posso depender disso, não posso ser infeliz se não me chamam nem focar a minha vida em função do reconhecimento público. Se vier, ótimo, o aceitarei com prazer, mas não estarei ansioso pelo sucesso, pela aprovação, por ser reconhecido. Continuo minha vida focando a aceitação, a mudança possível e a interação tranqüila com as pessoas e atividades que em cada etapa possuem significado e que me ajudam a crescer.
            A comunicação autêntica estabelece conexões significativas na relação com o outro. Desarma as resistências e provoca, geralmente, uma resposta positiva, ativa, e desarmada dele. Em contrapartida, a comunicação agressiva gera reações semelhantes no outro e pode complicar todo o processo subseqüente.
            A cada dia confirmo mais a importância de termos mais e mais pessoas na sociedade e especificamente na educação que sejam capazes de relacionar-se de forma aberta com os outros, que facilitem a comunicação com os colegas, alunos, administração e famílias. Pessoas maduras emocionalmente, que saibam gerenciar os conflitos pessoais e grupais; que tenham suficiente flexibilidade para compreender diferentes pontos de vista, e intuição para aproximar-se de forma adequada a diferentes pessoas e formas de viver.
            Necessitamos urgentemente dessas pessoas para mudar o enfoque fundamental das práticas educacionais, para vivenciar práticas mais ricas, abertas e significativas de comunicação pedagógica inovadora, profunda, criativa, progressista.
            Descubro, com satisfação, que mais e mais pessoas estão ou mudando ou querendo mudar. Isso é um excelente sinal de que é possível realizar um grande trabalho na educação brasileira. Vamos concentrar-nos nestes grupos que estão prontos para o novo, que procuram aprender, que estão dispostos a avançar, a experimentar formas mais profundas de comunicação pessoal e tecnológica.
            Temos um longo trabalho, no campo político, de implementar ações estruturais de apoio à mudança integrada, que contemple currículo, processos de comunicação e tecnologias. Podemos ir incentivando as pessoas, grupos e instituições que estão buscando soluções novas e sérias em educação. Na universidade podemos dar subsídios teóricos e pedagógicos para essa mudança.
É assim que nos tornamos melhores e transformamos as pessoas com que lidamos ou relacionamos durante um período das nossas vidas..


Referencias

DEMO, Pedro. Questões para Teleducação. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998. 365p.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Saberes necessários à prática educativa. 7ed. São Paulo: Paz e Terra, 1998. 159p.

MORAN, José Manuel, MASETTO, Marcos T., BEHRENS, Marilda A. Novas tecnologias e mediação pedagógica. Campinas, SP: Papirus, 2000. 133p.

Moran, José Manuel, A educação que desejamos: novos desafios e como chegar lá. , Texto, disponível em http://www.eca.usp.br/prof/moran/desafios.htm, visitado em 28/11/2011


MORAN, José Manuel. Ensino e aprendizagem inovadores com tecnologias. Artigo disponível online http://www.eca.usp.br/prof/moran Consultado em 06/02/2001

NÓVOA, Antonio. (Coord.). Os  Professores e a sua Formação – Temas Educacionais l. Lisboa: Editora Nova Enciclopédia. 1992.

PERRENOUD, Philippe.  Práticas Pedagógicas. Profissão Docente e Formação – Perspectivas  Sociológicas. Lisboa: Dom Quixote. 1993.








terça-feira, 29 de novembro de 2011

REVISÃO DO SÉTIMO ANO ATHENAS - GEO

REVISÃO DO SETIMO ANO COLEGIO ATHENAS 1) Quais são os biomas brasileiros? 2) Qual é o bioma da nossa Região? 3) Qual a relação entre desmatamento, efeito estufa e buraco na camada de Ozônio? 4) Quais atividades têm maior e menor participação na econômica brasileira? 5) O que é a Indústria de Bens de capital? 6) O que é a Indústria de bens Intermediários? 7) O que é a Indústria de bens de consumo Duráveis? 8) O que é a indústria de bens de consumo não-duráveis? 9) Por que houve uma grande concentração industrial somente no Estado de São Paulo? 10) Qual foi a causa da desconcentração industrial da grande São Paulo? 11) Quais foram os Estados beneficiados pela desconcentração industrial de São Paulo? 12) Diferencie o Comercio Varejista do comercio atacadista. 13) Diferencie Comercio Interno Brasileiro de comércio Externo Brasileiro. 14) O que são Multinacionais? Dê exemplos. 15) Qual é a matriz de transporte brasileira? Quais têm os maiores e os menores custos de transportes? 16) Quais são as principais ferrovias que atendem a Região Norte do Brasil? RESPOSTAS 1) Biomas Brasileiros: Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal, Floresta Amazônica, Mata de Cocais, Caatinga, Campos Sulinos e o Costeiro 2) O bioma da nossa região é o Cerrado 3) A destruição das florestas pode contribuir para o agravamento do Efeito Estufa, já que emite gases do efeito estufa e ao mesmo tempo que essas vegetações não irão mais processar o Gás Carbônico e liberar o oxigênio e pode aumentar os malefícios causados pela destruição da camada de Ozônio 4) Maior participação: Os Serviços / Menor participação: o comércio. 5) Indústria de bens de Capital é a indústria que produz Máquinas, equipamentos, instalações e tecnologias para outras indústrias. 6) Indústria de bens intermediário produz matéria-prima, fontes de energia e produtos semi-elaborados para outras indústrias. Exemplos: as indústrias siderúrgicas produzem ferro para as indústrias de autopeças que produzem peças para as indústrias automobilísticas. Neste caso a Siderúrgica e as autopeças são indústrias de Bens intermediários. 7) Indústria de bens de consumo Duráveis são aquelas que produzem: automóveis, eletrodomésticos, imóveis etc. 8) Indústria de bens de consumo não-duráveis produz produtos de consumo imediato. Exemplos: alimentos, cigarros, bebidas, roupas, remédios, calçados etc. 9) O Estado foi beneficiado com os capitais oriundos do café, da Infra-estrutura montada pelo governo e um mercado consumidor muito forte. 10) As Causas da saída das indústrias da grande São Paulo foram: Sindicatos muito organizados somente dentro da cidade de São Paulo, isenção fiscal oferecida por vários estados, associado a baixa remuneração da mão-de-obra local 11) O interior do Estado de São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul. Minas Gerais e Rio de Janeiro. 12) Comércio Varejista: Pontos comerciais que vendem direto ao consumidor. Ex. Lojas, farmácias, mercearias, supermercados, açougues etc. O Comércio Atacadista são pontos comerciais que compram das indústria e revendem aos varejistas. Ex. Armazéns Martins. ARCON. MaKro atacadista etc. 13) Comércio Interno brasileiro é tudo que vendido e comprado dentro do Brasil. Comércio externo brasileiro é tudo que vendido e comprado fora do território brasileiro. 14) Multinacionais são grandes empresas que possuem filiais em vários países do Mundo. Exemplo: O Carrefour (Frances), Nestlé(Sueca), Ford, Coca-cola, Nike (Norte americana) 15) A Matriz de transporte Brasileira é: Rodoviário 61% ( o mais caro do mundo), o Ferroviário 21%, Aquaviário 14% ( o mais barato de todos), e o dutoviário 4% . 16) São a Ferronorte e a Estrada de Ferro Carajás.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

REVISÃO PARA O NONO ANO ATHENAS

Revisão de Prova -9º ano 1) Por que a densidade demográfica é tão baixa nas regiões polares? 2) Quais povos vivem no Pólo Norte? 3) Em que se baseia a economia do Polo Norte? 4) O que foi o Tratado da Antártida? 5) O que é o PROANTAR Brasileiro? 6) Quais são as causas do Efeito Estufa e do Aquecimento Global? 7) O que foi o Protocolo de Kyoto? 8) Quais são as fontes energéticas mais utilizadas na Matriz energética Mundial? 9) Quais países são os maiores poluidores dos gases do Efeito Estufa? 10) Quais são as fontes de energia renováveis mais utilizadas no Brasil? 11) AS Usinas hidrelétricas são fontes totalmente limpas para o Efeito Estufa? 12) Quais são os aspectos negativos da energia Nuclear? 13) Quais são as consequencias do Buraco na camada de Ozônio para a vida na Terra? 14) Quais são os causadores do buraco na camada de Ozônio? 15) O causam as Chuvas Ácidas? 16) Quais os países que concentram mais de 60% da água potável disponível no Mundo? 17) Por que no Brasil, considerado abundante em água, nem toda a população desfruta dessa condição de abundância? Exemplifique. 18) Qual a relação entre a chamada crise ambiental e a crise social? RESPOSTAS 1) Devido as condições climáticas extremas, tanto no Pólo norte quanto na Antártica, considerada uma área Inóspita 2) São os inuites( Canadá e Groenlândia), lapões(Escandinávia) e Iacutos e Samoiedos ( Norte da Rússia). 3) No extrativismo animal (pesca e caça), vegetal (Coníferas) e Mineral ( chumbo, zinco, tungstênio e a criolita) 4) Um acordo entre diversos países para a não-exploração dos recursos naturais da Antártida até o ano de 2040, e só poderiam ser signatários os países que conseguissem construir bases científicas em território Antártico. 5) É o projeto brasileiro para pesquisa científica em território Antártico, executado por universidades, institutos de pesquisa e entidades públicas e privadas. 6) A queima de combustíveis fosseis ( petróleo, gás natural e carvão mineral), queimadas de florestas, expansão das áreas agrícolas, aumento de todos os tipos de rebanhos de animais e as atividades industriais. 7) O Protocolo de Kyoto foi um documento que teve como objetivo firmar acordos e discussões internacionais para conjuntamente estabelecer metas de redução na emissão de gases-estufa na atmosfera, criando formas de desenvolvimento de maneira menos impactante àqueles países em pleno desenvolvimento. 8) A matriz energética mundial é representada por 40% de petróleo, 22% gás natural, 20% Carvão Mineral, 11% energia Nuclear, 2% energia hidráulica e 5% outras fontes. 9) Pela ordem de expressão 1º Estados Unidos, 2º China, 3ºRússia, 4º Japão e 5º Índia. 10) Energia Hidráulica ( Usinas Hidréletricas) e Biomassas ( Álcool da Cana-de-açúcar), que no Brasil representa 45,8%, quando a Média no mundo é 12%. 11) Não, quando a água passa pela turbina ela traz a matéria orgânica em decomposição para a superfície que é rica em metano e contribui para aumentar o efeito estufa mas em grau mínimo. 12) A destina do lixo radioativo produzido diariamente, e complicações muito sérias em caso de catástrofes naturais como a que aconteceu no Japão recentemente. 13) O Efeito será danoso, já que os raios Ultravioletas que vem do sol e são filtrados pela camada de Ozônio são nocivos ao seres vivos e as plantas. 14) Os principais responsáveis pelo buraco na camada de Ozônio são: os clorofluorcabonos, Brometo de metila, gases halóns. 15) As Chuvas ácidas são causadas pela queima de combustíveis fosseis e pela poluição industrial que reagem na presença da luz solar e em contato com o vapor de água na atmosfera formam os ácidos nítrico e sulfúrico. 16) Brasil, Canadá, Rússia, China, Indonésia e Estados Unidos. 17) Por que no Brasil como em vários países ricos em água potável, as maiores concentrações hídricas se encontram distante das grandes concentrações populacionais como aqui no Brasil, as maiores bacias estão no Norte do País , área pouco habitada. 18) Uma é conseqüência da outra, a pobreza, a miséria, a degradação é conseqüências dos impactos ambientais provocados pela busca incessante do lucro.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

EXERCÍCIOS DE REVISÃO DO 8º ANO - ATHENAS

REVISÃO PARA AVALIAÇÃO
Professor Luiz TErencio
1) Quais são os países da Ásia Central:
2) Do ponto de vista econômico qual dos países da Ásia central apresenta maior potencial de crescimento? Por que?
3) Qual foi o maior desastre ambiental ocorrido na Ásia Central?
4) Quais são os principais rios que abastecem o Mar de Aral?
5) Fale sobre o controle de natalidade da Índia e da China? Quais tiveram melhor resultado?
6) Qual país adotou um regime político conciliando o processo de abertura econômica ( o estímulo à iniciativa privada, ao capital estrangeiro, à modernização do país) com a manutenção , no plano político, de uma ditadura socialista de partido único?
7) Quais são os conflitos territoriais da China e da Índia?
8) Qual é o produto agrícola típico do sudeste Asiático?
9) Em qual atividade de alta tecnologia a Índia está entre os melhores e o mais requisitados do Mundo?
10) O que foi a Política de “Portas Abertas” da China?
11) Quais são as principais ZEEs chinesas.
12) Quais são as riquezas minerais japonesas?
13) Quais são as quatro maiores ilhas japonesas
14) Por que o Território Japonês apresenta intensa atividade econômica?
15) Quais países formam os “Tigres Asiáticos”
16) Dentre os “Tigres Asiáticos” qual país possui a maior produção industrial?
17) Qual dos “Tigres Asiáticos” esteve sob o domínio da Inglaterra até 1999 e foi devolvido a China neste mesmo ano?
18) Qual é a língua mais falada no norte da África?
19) Qual é causa dos conflitos no Sudão?
20) Quais são os principais rios africanos? Qual é o mais importante para a África?
21) Qual é a causa da expansão dos Desertos africanos?
22) Quais são impactos da AIDs no continente africano?





1) Países da Ásia central: Turcomenistão, Quirquistão, Cazaquistão, Uzbequistão e Tadjiquistão
2) O Cazaquistão pelas grandes reservas de Petróleo
3) Por causa de projetos de irrigação nos principais rios que abastecem o Mar de Aral, ele reduziu o seu tamanho em quase 70%. Causando um forte impacto ambiental na região.
4) Amur Darya e Syr Darya
5) A China apresenta uma política anti-natalista muito mais radical e com resultado muito bom, é a política de filho único. A Índia adotou um política mais flexível e os resultados foram péssimos pois o crescimento populacional ainda continua alto, fato que poderá fazer com que a população indiana ultrapasse a população chinesa em menos de trinta anos.
6) A China, adotou o socialismo de mercado, uma economia capitalista e um regime político socialista
7) China conflito com o Tibete e com a Mongólia. A Índia mantém conflitos com o Paquistão por causa da Cachemira e com o Punjab, região que luta pela autonomia política
8) É Arroz
9) A produção de softwares
10) O país deu liberdade para o funcionamento de empresas privadas e proporcionou grande autonomia às províncias litorâneas chinesas, criando as Zonas Econômicas Especiais ZEEs.
11) Principais ZEEs são: Pequim , Xangai e Guangzhou
12) O Japão é um país desprovido de riquezas minerais, tendo de importar quase todos os minerais e as fontes energéticas.
13) Honshu, Kiushu, Hokkaido e Shikoku
14) Córeia do Sul, Hong Kong , Taiwan e Cingapura
15) Por causa do encontro de três placas tectônicas: Placa do pacifico, a Placa das Filipinas e a Placa Eurasiatica.
16) A Coreia do Sul, pois ela possui multinacionais espalhadas por diversos países, inclusive o Brasil.
17) Hong Kong.
18) Língua Árabe
19) Questão religiosa pois o grupo dominante é o Islâmico, além da disputa pela terra e pela entre os grupos étnicos que formam o país.
20) Os principais rios são: Rio Nilo, Rio Níger, Rio Congo e rio Zimbáube. O mais importante é o Rio Nilo que atravessa o Deserto de Saara.
21) O Uso intensivo do solo com prática de manejo inadequado, como a agricultura de subsistência e a pecuária intensiva
22) A AIDs tem causado um grande extrago na África, diariamente mais de 10 mil africanos morrem de doenças relacionadas com a AIDs e mais de 9 mil contraem a doença diariamente e os governos não tem um programa de erradicação ou de informação sobre a doença no continente.